História da Escola Secundária da Lourinhã
Na segunda metade do século XX, mais precisamente em 1951, iniciou-se um projecto pedagógico-administrativo que iria culminar na actual Escola Secundária.
No sentido de se proceder a um breve enquadramento desta trajectória educativa, na esfera do Ensino Secundário, foi seleccionado um intervalo de tempo compreendido entre os anos de 1956 e 2005.
Assume particular importância em todo este processo o Externato D. Luís de Ataíde, onde decorreram as primeiras aulas do Ensino Secundário. Situado nos números 2 e 4 da actual Rua Miguel Bombarda, este edifício faz esquina com a Rua António Maria Roque Delgado. Após cinco anos de actividades lectivas, ou seja, em 1956, o mesmo já apresentava “paupérrimas habitações oficialmente reprovadas”, embora dispusesse de um notável leque de disciplinas, tais como a Matemática, o Desenho e a Física, leccionadas pelo Dr. Virgílio Miguel Oliveira Pissarra, pessoa responsável pela sua criação e direcção. Completavam o programa curricular as disciplinas de Francês, Português, História, Geografia, Moral, Ciências Naturais, Físico-Químicas e Ginástica.
Para assegurar a continuidade de um tão “acreditado estabelecimento de ensino”, seria então construído um novo edifício escolar, uma vez que, tal como nos dias de hoje, se visava a qualidade da aprendizagem dos alunos. Perante um tão elevado grau de exigência, o painel docente, do qual faziam parte os Doutores Mário Braga e Carlos Elias Costa Quintans, era caracterizado pelas mais “altas qualidades morais” e pela “apreciável soma de conhecimentos”, a par de uma “decidida vocação para o ensino”.
Consequentemente, a 8 de Dezembro de 1956, numa época em que os estabelecimentos de formação ainda eram uma extensão do lar, foi lançada a primeira pedra do Externato D. Lourenço , pelo Sr. António Gentil Horta. Este evento decorreu a 8 de Dezembro de 1956, tendo a benção sido executada pelo Rev. Padre António Pereira Escudeiro, Vigário da Vara.
Numa perspectiva de melhoria do ensino secundário, o Dr. Virgílio Pissarra apresentou à Câmara Municipal uma proposta que previa, segundo as suas palavras, “a constituição de uma sociedade por quotas, com juro, na qual já prometeu entrar o Sr. Dr. Mário Augusto Palma de Almeida Braga, com o terreno”. Estava assim formada uma comissão executiva e angariadora de fundos que, embora beneficiasse da assistência da Câmara Municipal, lutava com enormes dificuldades económicas. Na verdade, no início de 1957, sucediam-se os apelos à participação dos munícipes e daí que o número de sócios não cessasse de aumentar. O futuro Colégio fazia parte do progresso desejado para a vila da Lourinhã e, por isso mesmo, devia “ser de todos, por todos e para todos”.
O novo Externato D. Lourenço transformara-se num “ponto de convergência da atenção geral” e a sua escritura, efectuada no dia 9 de Abril de 1958, tornara-o “propriedade da Igreja”, sob a alçada da qual permaneceria até 1972 . Cabia, pois, a esta Instituição garantir professores de comprovada qualidade intelectual, pedagógica, moral, de preferência casados, e manter uma disciplina que, com a colaboração dos pais, permitiria “um real complemento da educação familiar e social”.
Subordinado a este fundamento teórico-pedagógico, no dia 7 de Outubro de 1958, o novo espaço formativo-educativo abre as suas portas aos alunos do ensino diurno com o seguinte lema: “O Externato D. Lourenço, na risonha vila de Lourinhã, igualará os melhores estabelecimentos do ensino secundário do País. Mandar os filhos estudar para longe é gastar dinheiro sem melhor êxito”. O tom assertivo desta propaganda coaduna-se com a influência que então se procurava exercer a nível da população do Concelho, no sentido de suscitar a adesão de potenciais candidatos que, doravante, teriam ao seu dispor o Curso Liceal, primeiro e o segundo ciclos, para ambos os sexos.
Com cerca de 100 alunos inscritos, uma nova mundividência escolar começa a florescer. Os pais são convocados para uma primeira reunião, em Fevereiro de 1959, sempre numa óptica de que a “escola é um complemento da formação e educação paternas.”
Entretanto, avizinhavam-se momentos conturbados que iriam conduzir a mudanças drásticas. No que concerne ao Externato da Lourinhã, a argumentação retórica do poder religioso tornava-se insuficiente para combater o movimento pró-ensino que se alastrava pelo país, e a Igreja vê perigar a missão para que fora criada.
Pertença do Patriarcado de Lisboa havia catorze anos, o Externato dentro em breve iria ficar sob a tutela do Estado. Instalara-se a polémica, porque o Estado, apologista do ensino gratuito, não se dispunha a financiar o ensino particular e, além disso, a Lourinhã era demasiado pequena para suportar os dois tipos de ensino envolvidos num esquema concorrencial que a própria Telescola viera agravar. Fechavam-se as portas de uma Instituição Escolar, por motivos económicos, renegando-se assim um projecto erigido com tanto esforço e entusiasmo.
Nem mesmo os responsáveis pelo ensino em Portugal conseguiram demover o Episcopado e o Ministro da Educação. Deste modo, a era do Ensino Particular terminara, após duas décadas e meia de actividade na Lourinhã.
Em Setembro de 1972, o Alvorada noticia, sem qualquer crítica, o aparecimento do Ensino Oficial considerado um instrumento “de construção da Lourinhã de amanhã”, inicialmente até ao 5º ano do Liceu, numa expectativa de alargamento ao 6º e 7º anos. De salientar que a reforma contemplava um Liceu Polivalente, que era considerado a Escola Ideal. De facto, no ano lectivo de 1972/73, com o Decreto nº 447/73, de 25 de Outubro, o estabelecimento de ensino particular passou a Liceu Nacional.
No dia 29 de 0utubro de 2001, foi assinado o Auto de Consignação, segundo o qual se valida a empreitada nº 109/2001 para construção do novo edifício da Escola Secundária. O terreno foi cedido pela Câmara Municipal da Lourinhã, cabendo à Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo custear a obra, orçamentada em cinco milhões, trezentos e noventa mil e setecentos e noventa e sete euros.
Em Setembro de 2005, a Escola Secundária instala-se no novo edifício, situado em Vale Geões, no limite nordeste da Vila da Lourinhã.



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